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Dr. José Inácio de Almeida Neto

Ombro · Brasília

Tendinite calcária do ombro em Brasília

A tendinite calcária do ombro é o depósito de cristais de cálcio dentro de um tendão do manguito rotador, mais frequentemente o supraespinhal. Sua marca é a dor que pode surgir de forma súbita e desproporcional, muitas vezes sem trauma, chegando a impedir qualquer movimento do braço na fase aguda. O depósito tende a passar por ciclos e pode ser reabsorvido pelo próprio organismo. O tratamento é conservador na maior parte dos casos, com controle da dor, fisioterapia e, quando indicado, procedimentos para remover ou fragmentar o depósito.

O que é tendinite calcária do ombro

Profissional analisando exames de imagem em um negatoscópio

Diferente da tendinite comum, aqui existe material cálcico organizado dentro do tendão. Ele costuma se formar de maneira silenciosa e pode permanecer anos sem sintoma nenhum — muitos depósitos são descobertos por acaso em radiografias feitas por outro motivo.

A dor mais intensa costuma aparecer justamente na fase em que o organismo começa a reabsorver o depósito: o material amolece, aumenta a pressão dentro do tendão e desencadeia uma reação inflamatória forte. É contraintuitivo, mas essa fase dolorosa costuma anteceder a resolução espontânea do quadro.

Também conhecido como

  • Calcificação no ombro
  • Tendinopatia calcária
  • Depósito de cálcio no tendão do ombro

Sintomas

  • Dor de início súbito e intensa no ombro, muitas vezes sem trauma
  • Impossibilidade de mover o braço na fase aguda, por dor
  • Dor que pode acordar o paciente à noite
  • Em fases crônicas, dor moderada aos movimentos acima da cabeça
  • Períodos assintomáticos alternando com crises

Causas e fatores de risco

  • Alteração local do metabolismo do tendão, de causa ainda não totalmente esclarecida
  • Associação descrita com alterações metabólicas e da tireoide
  • Redução da vascularização em áreas específicas do tendão
  • Não está diretamente relacionada ao consumo de cálcio na alimentação

Como é feito o diagnóstico

  • Radiografia do ombro — exame de escolha, que mostra o depósito, seu tamanho e sua densidade
  • Ultrassonografia, que avalia a consistência do depósito e orienta procedimentos guiados
  • Exame clínico para localizar o tendão acometido e descartar outras causas de dor aguda
  • Ressonância magnética quando há dúvida sobre lesão associada do manguito

Opções de tratamento

Tratamento conservador

Controle da dor na fase aguda

Analgesia e anti-inflamatório em esquema definido, com repouso relativo do braço enquanto a crise cede. É a prioridade quando a dor impede qualquer movimento.

Fisioterapia e recuperação de amplitude

Após o controle da crise, trabalho de mobilidade e fortalecimento para restabelecer a função e evitar que o ombro fique rígido.

Punção e lavagem ecoguiada (barbotagem)

Procedimento ambulatorial em que o depósito é puncionado e aspirado sob visualização por ultrassom. Indicado em depósitos de consistência adequada e sintomas persistentes.

Terapia por ondas de choque

Recurso usado em casos selecionados de depósito crônico, com o objetivo de fragmentar o material e estimular sua reabsorção.

Tratamento cirúrgico

Remoção artroscópica do depósito

Reservada aos quadros que não respondem ao tratamento conservador. O depósito é localizado e removido por vídeo, com tratamento do tendão quando necessário.

Recuperação e reabilitação

Após a crise aguda, a recuperação da amplitude costuma ser rápida quando a fisioterapia é iniciada assim que a dor permite.

Alguns depósitos são reabsorvidos espontaneamente, e o acompanhamento por imagem ajuda a decidir se vale aguardar ou intervir.

Depois de procedimentos de remoção, o programa segue a lógica do tratamento de tendinopatia do manguito.

Quando procurar um especialista

  • Dor súbita e muito intensa no ombro, sem trauma que a justifique
  • Impossibilidade de levantar o braço por dor
  • Crises repetidas de dor no mesmo ombro
  • Calcificação identificada em exame de imagem, com sintomas associados

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Revisado por Dr. José Inácio, CRM-DF 16891 · RQE 12355.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre tendinite calcária do ombro

As perguntas que mais aparecem na consulta sobre este tema.

Tomar cálcio causa tendinite calcária?

Não. O depósito é resultado de uma alteração local no tendão e não tem relação direta com a quantidade de cálcio ingerida na alimentação ou em suplementos. Restringir cálcio da dieta não previne nem trata a condição.

A calcificação no ombro pode desaparecer sozinha?

Sim. O depósito passa por fases e o próprio organismo pode reabsorvê-lo. Curiosamente, a fase de reabsorção costuma ser a mais dolorosa, o que faz muitos pacientes procurarem atendimento justamente quando o quadro caminha para a resolução.

Por que a dor da tendinite calcária é tão forte?

Na fase de reabsorção, o material amolecido aumenta a pressão dentro do tendão e desencadeia uma reação inflamatória intensa em um espaço confinado. Essa combinação explica por que a dor pode ser desproporcional ao tamanho do depósito e surgir sem qualquer trauma.

Ondas de choque funcionam para calcificação no ombro?

É um recurso com indicação específica, mais considerado em depósitos crônicos e sintomáticos que não responderam a outras medidas. A resposta varia conforme o tamanho e a consistência do depósito, e a indicação é definida após avaliação com imagem.

Preciso operar uma calcificação encontrada por acaso?

Depósitos assintomáticos, descobertos em exames feitos por outro motivo, geralmente não exigem tratamento. A conduta é orientada pelos sintomas e pela limitação funcional, não pela simples presença da calcificação na radiografia.

Tratamentos relacionados

Condições que costumam aparecer junto

Quadros com sintomas próximos ou que compartilham a mesma estrutura anatômica.

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