O que é lesão do manguito rotador
O manguito rotador é formado pelos tendões dos músculos supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor. Juntos, eles mantêm a cabeça do úmero centrada na articulação enquanto o braço se move — é esse trabalho silencioso que permite pentear o cabelo, alcançar um objeto na prateleira ou dormir de lado sem dor.
As lesões vão da tendinopatia (o tendão inflamado e degenerado, ainda íntegro) à ruptura parcial e à ruptura completa, quando o tendão se desprende do osso. Nem toda ruptura precisa de cirurgia, e nem toda dor de ombro é manguito: definir exatamente qual tendão está comprometido e em que extensão é o que separa um tratamento que resolve de um que apenas adia o problema.
Também conhecido como
- Ruptura do manguito rotador
- Rotura do supraespinhal
- Tendinopatia do manguito rotador
Sintomas
- Dor ao levantar o braço acima da altura do ombro
- Dor noturna, principalmente ao deitar sobre o lado afetado
- Perda de força para erguer ou girar o braço
- Dificuldade em gestos simples: vestir uma camisa, alcançar o cinto de segurança, pentear o cabelo
- Estalos ou sensação de travamento durante o movimento
- Dor que irradia da lateral do ombro em direção ao cotovelo
Causas e fatores de risco
- Degeneração natural do tendão com a idade — mais comum a partir dos 50 anos
- Movimentos repetidos acima da cabeça, no trabalho ou no esporte
- Quedas com o braço estendido ou trauma direto sobre o ombro
- Atrito crônico entre o tendão e o acrômio (síndrome do impacto)
- Tabagismo e diabetes, que reduzem a irrigação e a qualidade do tendão
Como é feito o diagnóstico
- Exame clínico com testes específicos de força e mobilidade para cada um dos quatro tendões
- Ultrassonografia do ombro, útil para avaliar o tendão em movimento
- Ressonância magnética, que mostra a extensão da ruptura e a qualidade do músculo
- Radiografia, para avaliar o formato do acrômio e descartar artrose associada
Opções de tratamento
Tratamento conservador
Fisioterapia e reabilitação dirigida
Primeira escolha na maioria das tendinopatias e em boa parte das rupturas parciais. O programa trabalha o equilíbrio entre manguito e escápula para retirar a carga do tendão lesionado.
Controle da dor e da inflamação
Medicação anti-inflamatória por período definido e, em casos selecionados, infiltração guiada — usada para permitir que a reabilitação avance, nunca como tratamento isolado.
Ajuste de carga e do gesto que provoca a dor
Correção da mecânica no trabalho e no treino. Sem essa etapa, a dor tende a retornar assim que a atividade original é retomada.
Tratamento cirúrgico
Reparo artroscópico do manguito
O tendão é reinserido no osso por vídeo, com âncoras, através de portais de poucos milímetros. Indicado em rupturas completas, em rupturas parciais que não respondem ao tratamento conservador e em lesões traumáticas de pacientes ativos.
Procedimentos associados
Quando necessário, o reparo é combinado a acromioplastia, tenotomia ou tenodese do bíceps — a decisão é tomada conforme o que a avaliação e o intraoperatório mostram.
Recuperação e reabilitação
Após o reparo artroscópico, o ombro costuma ser protegido por tipoia nas primeiras semanas, com movimentação passiva iniciada de forma progressiva.
O ganho de amplitude vem antes do ganho de força: o fortalecimento só entra quando o tendão já tem cicatrização suficiente, e esse tempo varia conforme o tamanho da lesão e a qualidade do tendão.
O retorno ao esporte e ao trabalho pesado é liberado por critérios objetivos de força e amplitude, não por calendário.
Quando procurar um especialista
- Dor no ombro que persiste por mais de duas a três semanas sem melhora
- Perda súbita de força para levantar o braço, principalmente após queda
- Dor noturna que atrapalha o sono de forma recorrente
- Dor que já limita atividades do dia a dia, como se vestir ou dirigir
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Revisado por Dr. José Inácio, CRM-DF 16891 · RQE 12355.


