O que é ombro congelado (capsulite adesiva)
A cápsula do ombro é um envelope de tecido que envolve a articulação. Na capsulite adesiva ela inflama, engrossa e se contrai, reduzindo o volume interno da articulação. O ombro deixa de girar não por fraqueza ou por dor de proteção, mas porque a estrutura que o envolve encurtou fisicamente.
A evolução clássica se dá em três fases que se sobrepõem: uma fase dolorosa, em que a dor domina e a rigidez começa; uma fase de rigidez, em que a dor cede um pouco e a limitação é máxima; e uma fase de degelo, com recuperação lenta e progressiva do movimento. Reconhecer em qual fase o paciente está é decisivo, porque o tratamento adequado a uma fase pode ser contraproducente em outra.
Também conhecido como
- Capsulite adesiva
- Ombro congelado
- Frozen shoulder
Sintomas
- Perda progressiva de movimento do ombro em todas as direções
- Dificuldade acentuada para girar o braço para fora e para levar a mão às costas
- Dor em repouso e à noite, especialmente na fase inicial
- Limitação que persiste mesmo quando outra pessoa tenta mover o braço
- Dor ao realizar movimentos bruscos ou inesperados com o braço
Causas e fatores de risco
- Capsulite primária, sem causa aparente identificável
- Diabetes mellitus — fator de risco bem estabelecido e associado a quadros mais prolongados
- Alterações da tireoide
- Imobilização prolongada após trauma, fratura ou cirurgia
- Capsulite secundária a outras lesões do ombro, como tendinopatias do manguito
Como é feito o diagnóstico
- Exame clínico com medição da amplitude ativa e passiva — a perda passiva é o achado central
- Radiografia, geralmente normal, usada para descartar artrose e outras causas de rigidez
- Ressonância magnética quando é preciso diferenciar de lesão do manguito ou avaliar a cápsula
- Investigação laboratorial de glicemia e função tireoidiana, pela associação conhecida
Opções de tratamento
Tratamento conservador
Fisioterapia ajustada à fase do quadro
Na fase dolorosa o foco é analgesia e manutenção do movimento tolerável; na fase de rigidez, ganho progressivo de amplitude. Alongamento agressivo na fase errada tende a piorar a dor.
Controle da dor
Medicação analgésica e anti-inflamatória por período definido, orientada a permitir que o paciente durma e consiga realizar os exercícios.
Infiltração intra-articular guiada
Em quadros muito dolorosos, pode reduzir a inflamação da cápsula e abrir uma janela para a reabilitação avançar. Indicação e momento são definidos caso a caso.
Controle das condições associadas
Ajuste do controle glicêmico e da função tireoidiana junto ao clínico ou endocrinologista — parte do tratamento, não um detalhe secundário.
Tratamento cirúrgico
Liberação capsular artroscópica
Reservada aos casos com rigidez importante e persistente, sem resposta ao tratamento conservador prolongado. A cápsula retraída é liberada por vídeo, seguida de reabilitação intensiva.
Recuperação e reabilitação
A capsulite adesiva costuma ter evolução longa, com melhora gradual ao longo de meses — informação que faz parte da orientação inicial para que o paciente não interrompa o tratamento cedo demais.
A regularidade dos exercícios domiciliares pesa tanto quanto as sessões de fisioterapia.
Após liberação capsular, o programa de reabilitação começa imediatamente, porque manter a amplitude conquistada é o objetivo principal do pós-operatório.
Quando procurar um especialista
- Perda de movimento do ombro que progride ao longo de semanas
- Dificuldade para girar o braço para fora, mesmo com ajuda
- Dor noturna intensa associada à rigidez
- Rigidez do ombro após período de imobilização ou cirurgia
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Revisado por Dr. José Inácio, CRM-DF 16891 · RQE 12355.


