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Dr. José Inácio de Almeida Neto

Ombro · Brasília

Luxação e instabilidade do ombro em Brasília

A luxação do ombro acontece quando a cabeça do úmero sai completamente da glenoide, a superfície da escápula que forma a articulação. Como o ombro é a articulação mais móvel do corpo, ele também é o que mais luxa. Após o primeiro episódio, as estruturas que seguravam a articulação — em especial o lábio glenoidal — costumam ficar lesionadas, o que gera instabilidade: a sensação recorrente de que o ombro vai sair do lugar. O risco de novos episódios é maior em pacientes jovens e atletas, grupo em que a correção cirúrgica é mais frequentemente indicada.

O que é luxação e instabilidade do ombro

Detalhe das mãos de um profissional durante avaliação ortopédica

A glenoide é rasa, quase um pires, e a cabeça do úmero é grande. Essa desproporção é o que dá ao ombro sua amplitude única — e também o que o torna vulnerável. A estabilidade depende de um anel de fibrocartilagem chamado lábio glenoidal, dos ligamentos da cápsula e do trabalho ativo do manguito rotador.

No primeiro episódio de luxação, o lábio costuma se desprender da borda da glenoide, lesão conhecida como Bankart. Sem que essa estrutura cicatrize em posição adequada, o ombro perde o batente que impedia a saída, e cada novo episódio ocorre com menos força que o anterior. Em alguns casos há também perda óssea da glenoide ou uma lesão na cabeça do úmero (Hill-Sachs), o que muda a estratégia de tratamento.

Também conhecido como

  • Ombro deslocado
  • Instabilidade glenoumeral
  • Lesão de Bankart

Sintomas

  • Episódio de ombro que saiu do lugar, com dor intensa e deformidade visível
  • Sensação recorrente de que o ombro vai sair, principalmente com o braço elevado e girado para fora
  • Apreensão ao arremessar, ao nadar ou ao dormir com o braço acima da cabeça
  • Episódios de subluxação: o ombro escorrega e volta sozinho
  • Dor e fraqueza após os episódios, com dificuldade de confiar no braço

Causas e fatores de risco

  • Trauma esportivo, especialmente em esportes de contato e de arremesso
  • Queda com o braço estendido e girado para fora
  • Frouxidão ligamentar generalizada, que predispõe a instabilidade sem trauma importante
  • Episódios repetidos que ampliam progressivamente a lesão do lábio e da cápsula
  • Perda óssea da glenoide após luxações sucessivas

Como é feito o diagnóstico

  • História detalhada do mecanismo e do número de episódios — informação que pesa mais que qualquer exame
  • Testes clínicos de apreensão e de recentragem
  • Radiografias para avaliar a posição e procurar lesões ósseas associadas
  • Ressonância magnética, com contraste intra-articular quando necessário, para avaliar o lábio e a cápsula
  • Tomografia computadorizada quando há suspeita de perda óssea significativa da glenoide

Opções de tratamento

Tratamento conservador

Redução e imobilização inicial

No episódio agudo, a articulação é recolocada e o ombro imobilizado por período definido, seguido de reavaliação. Reduzir cedo e de forma adequada reduz o risco de lesões associadas.

Reabilitação com foco em estabilizadores dinâmicos

Fortalecimento do manguito rotador e dos estabilizadores da escápula, que compensam parte da estabilidade perdida. É a conduta de escolha em pacientes de menor demanda e em instabilidades sem lesão estrutural importante.

Tratamento cirúrgico

Reparo artroscópico do lábio (Bankart)

O lábio glenoidal é reinserido na borda da glenoide por vídeo, com âncoras, restabelecendo o batente anatômico. É a cirurgia mais realizada na instabilidade anterior sem perda óssea relevante.

Procedimentos com transferência óssea

Quando há perda óssea significativa da glenoide ou falha de reparo prévio, técnicas como a de Latarjet transferem um bloco ósseo para restaurar a superfície de contato. A indicação depende da medida da perda óssea.

Recuperação e reabilitação

Após o reparo, o ombro é protegido por período definido antes do início do ganho de rotação externa, justamente a posição que estressa a reconstrução.

O fortalecimento é progressivo e o retorno ao esporte de contato é o último passo, liberado por critérios objetivos.

Pacientes que retomam o esporte antes da recuperação completa da estabilidade dinâmica têm risco maior de novo episódio.

Quando procurar um especialista

  • Qualquer episódio de luxação do ombro, mesmo que tenha voltado ao lugar sozinho
  • Sensação repetida de que o ombro vai sair do lugar
  • Insegurança para arremessar, nadar ou praticar esporte de contato
  • Dor persistente após um episódio de luxação já reduzido

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Revisado por Dr. José Inácio, CRM-DF 16891 · RQE 12355.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre luxação e instabilidade do ombro

As perguntas que mais aparecem na consulta sobre este tema.

Depois da primeira luxação, o ombro vai luxar de novo?

O risco depende principalmente da idade e do nível de atividade. Pacientes jovens e atletas de esportes de contato apresentam taxas de novos episódios consideravelmente mais altas do que pacientes mais velhos. É essa diferença que orienta a discussão sobre reparo cirúrgico após o primeiro episódio.

Posso colocar o ombro no lugar sozinho?

Não é recomendado. A redução sem avaliação pode agravar lesões de nervos, vasos e cartilagem, além de mascarar uma fratura associada. O correto é procurar atendimento para que a redução seja feita com técnica adequada e após avaliação por imagem.

O que é lesão de Bankart?

É o desprendimento do lábio glenoidal da borda anterior da glenoide, a lesão mais comum após uma luxação anterior do ombro. Como o lábio funciona como batente e ponto de ancoragem dos ligamentos, sua lesão é a principal responsável pela instabilidade que se instala depois do episódio.

Instabilidade do ombro sempre precisa de cirurgia?

Não. Pacientes com menor demanda funcional, sem lesão estrutural relevante ou com instabilidade de origem mais ligamentar do que traumática frequentemente evoluem bem com reabilitação dirigida. A decisão pesa idade, esporte praticado, número de episódios e o que a imagem mostra.

Quanto tempo depois da cirurgia posso voltar ao esporte?

O retorno é escalonado e definido por critérios de estabilidade, força e controle motor, não por uma data fixa. Esportes de contato e de arremesso são os últimos a serem liberados, e essa liberação é discutida em consulta de retorno com base na avaliação funcional.

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