O que é pseudartrose e consolidação viciosa
Uma fratura consolida quando três condições coexistem: estabilidade mecânica adequada, vascularização preservada e ambiente biológico favorável. A pseudartrose é o resultado da falha de pelo menos uma delas, e o tratamento eficaz é o que identifica qual foi.
Costuma-se distinguir a pseudartrose hipertrófica, em que há muito calo ósseo mas estabilidade insuficiente — um problema mecânico —, da atrófica, em que falta atividade biológica no foco. A primeira responde principalmente à melhora da fixação; a segunda exige, além disso, estímulo biológico, frequentemente com enxerto ósseo. Infecção precisa ser sempre investigada antes de qualquer nova cirurgia.
Também conhecido como
- Fratura que não colou
- Pseudoartrose
- Osso consolidado torto
Sintomas
- Dor persistente no foco da fratura muito além do tempo esperado de consolidação
- Sensação de mobilidade anormal no local da fratura
- Deformidade visível do membro nos casos de consolidação viciosa
- Perda de função, força ou amplitude do membro
- Sinais inflamatórios locais ou secreção, quando há infecção associada
Causas e fatores de risco
- Instabilidade da fixação ou da imobilização inicial
- Infecção do foco da fratura
- Comprometimento da vascularização óssea pelo trauma ou pela cirurgia
- Tabagismo — fator de risco bem estabelecido para falha de consolidação
- Diabetes, desnutrição e deficiência de vitamina D
- Redução inadequada, no caso da consolidação viciosa
Como é feito o diagnóstico
- Radiografias seriadas comparativas, que documentam a ausência de progressão da consolidação
- Tomografia computadorizada, que confirma a falha de união e mede o desvio
- Investigação laboratorial de infecção e de fatores metabólicos
- Avaliação da qualidade do implante e da estabilidade da fixação prévia
- Análise do desvio em três planos para planejar a correção
Opções de tratamento
Tratamento conservador
Correção dos fatores de risco
Interrupção do tabagismo, controle glicêmico, correção de deficiências nutricionais e de vitamina D. Sem esse passo, uma nova cirurgia tem chance menor de sucesso.
Tratamento da infecção
Quando identificada, a infecção é tratada antes ou junto à reconstrução, com abordagem específica. É a causa que mais muda o planejamento.
Tratamento cirúrgico
Revisão da fixação
Troca ou reforço do implante para oferecer a estabilidade mecânica que faltava. É a intervenção central na pseudartrose hipertrófica.
Enxerto ósseo e estímulo biológico
Aporte de osso e de fatores biológicos no foco, indicado principalmente na pseudartrose atrófica, associado à estabilização adequada.
Osteotomia corretiva
Nas consolidações viciosas, o osso é seccionado de forma planejada, realinhado e fixado na posição correta, restabelecendo eixo, rotação e comprimento.
Recuperação e reabilitação
O acompanhamento é mais longo do que o de uma fratura primária, com radiografias seriadas até a consolidação ser demonstrada.
A reabilitação recupera amplitude e força perdidas durante o período prolongado de limitação, e costuma exigir mais tempo por isso.
A adesão às medidas de correção de fatores de risco pesa diretamente no resultado.
Quando procurar um especialista
- Dor no foco de fratura que persiste muito além do tempo previsto
- Sensação de que o osso 'se move' no local da fratura
- Deformidade do membro após consolidação de uma fratura
- Radiografias seriadas que não mostram progressão da consolidação
- Sinais de infecção no local operado — avaliação sem demora
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Revisado por Dr. José Inácio, CRM-DF 16891 · RQE 12355.


