O que é epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
Apesar do sufixo -ite, o achado predominante não é inflamação aguda, e sim degeneração do tendão: fibras desorganizadas, com vasos e terminações nervosas novos crescendo em meio ao colágeno. Essa distinção importa porque explica por que anti-inflamatório sozinho raramente resolve o quadro e por que a carga progressiva é a parte central do tratamento.
O ponto doloroso é bastante localizado, sobre o epicôndilo lateral, e a queixa clássica é funcional: a pessoa perde a força de preensão e passa a derrubar objetos. Em quadros mais longos, é preciso diferenciar de compressão do nervo interósseo posterior e de instabilidade lateral do cotovelo, que podem doer na mesma região.
Também conhecido como
- Cotovelo de tenista
- Epicondilite lateral
- Tendinopatia dos extensores do punho
Sintomas
- Dor na face externa do cotovelo, com ponto bem localizado à palpação
- Piora ao segurar objetos, apertar a mão ou girar uma maçaneta
- Perda de força de preensão, com tendência a deixar objetos cair
- Dor ao estender o punho contra resistência
- Desconforto que pode irradiar pela face externa do antebraço
Causas e fatores de risco
- Movimentos repetidos de preensão e de extensão do punho no trabalho
- Uso prolongado de ferramentas, teclado e mouse sem apoio adequado
- Aumento súbito de carga em treino de força ou em esportes de raquete
- Técnica inadequada no backhand, no caso de praticantes de tênis
- Fatores que afetam a qualidade do tendão, como tabagismo e alterações metabólicas
Como é feito o diagnóstico
- Exame clínico com palpação do epicôndilo lateral e testes de extensão resistida do punho
- Ultrassonografia, que mostra o padrão degenerativo do tendão
- Ressonância magnética em casos duvidosos ou de longa duração
- Avaliação para diferenciar de compressão nervosa e de instabilidade lateral do cotovelo
Opções de tratamento
Tratamento conservador
Exercício de carga progressiva
Base do tratamento. Programa de fortalecimento excêntrico e progressivo dos extensores do punho, que reorganiza o tendão degenerado ao longo de semanas.
Ajuste ergonômico e de atividade
Revisão da pegada, do peso das ferramentas, da altura de trabalho e da técnica esportiva. Sem essa correção, a dor tende a retornar mesmo após melhora inicial.
Órtese e controle de sintomas
Uso de faixa ou órtese para reduzir a tração sobre a inserção do tendão em atividades específicas, associado a analgesia quando necessário.
Terapia por ondas de choque
Recurso considerado em quadros crônicos que não responderam ao programa de exercícios, com o objetivo de estimular a reorganização do tendão.
Tratamento cirúrgico
Tratamento cirúrgico do tendão
Reservado a casos de longa evolução, com falha de tratamento conservador bem conduzido. Consiste em desbridar o tecido degenerado e, quando indicado, reinserir o tendão.
Recuperação e reabilitação
A resposta ao programa de exercícios costuma ser gradual e exige continuidade por semanas — interromper ao primeiro alívio é a causa mais comum de recidiva.
O retorno à atividade que originou o quadro é progressivo e acompanhado de correção técnica ou ergonômica.
Quando há cirurgia, a reabilitação segue etapas de mobilidade, fortalecimento e retomada de preensão.
Quando procurar um especialista
- Dor na parte de fora do cotovelo por mais de três a quatro semanas
- Perda de força para segurar objetos
- Dor que limita atividades de trabalho ou de esporte
- Falha de tratamento prévio ou episódios recorrentes
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Revisado por Dr. José Inácio, CRM-DF 16891 · RQE 12355.


